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Tsunami atômico

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Como um terremoto na costa nordeste do Japão e os posteriores danos à usina de Fukushima ressuscitaram o pesadelo nuclear em todo o planeta

Os sinais estão aí para quem quiser vê-los. Assim como nos últimos anos, desastres naturais de todo tipo e intensidade mostraram que a Terra andou de péssimo humor em 2011. Somadas a fatores de risco criados pela própria humanidade – como usinas nucleares inacreditavelmente vulneráveis –, as catástrofes não deixam dúvidas sobre quem manda no planeta. Mais uma vez, humanos impotentes assistiram à fúria da natureza na forma de tornados, terremotos, enchentes e erupções vulcânicas, entre outras manifestações.

Nenhuma tragédia, porém, gerou tamanho temor quanto o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão na sexta-feira 11 de março. O tremor de 9.0 graus na escala Richter, cujo epicentro estava a cerca de 70 quilômetros da costa, acionou os sistemas de alerta das autoridades locais às 14h46. Poucos segundos depois, as tevês de todo o país passaram a transmitir detalhes sobre o ocorrido e a divulgar as informações-padrão de segurança a ser seguidas pela população. Quem estava longe do nordeste japonês sentiu a terra chacoalhar e viu o desenrolar dos fatos com incredulidade e tensão. Já os agricultores e moradores das cidades costeiras, como a pequena Miyagi, mal tiveram tempo para se preparar para o que viria a seguir.

Assim que detectou o avanço das ondas gigantes pelo oceano, o governo japonês emitiu o alerta máximo na escala que mede tsunamis no país. Minutos depois, a parede d"água de até seis metros de altura atingiu o litoral com força avassaladora. Câmeras instaladas em helicópteros registraram o mar de lama invadindo plantações, arrastando veículos de todos os tamanhos e inundando ruas, prédios e aeroportos. Nada ficou imune, como nas cenas de um sonho ruim, muito ruim. Segundo o balanço mais recente, 15.842 pessoas morreram, 5.890 ficaram feridas e 3.485 não foram localizadas até hoje.

Poucas horas depois, o desastre local se transformou em um pesadelo global. Logo após sofrer o impacto do terremoto e do tsunami, a usina atômica de Fukushima entrou em colapso. Uma série de falhas nos equipamentos levou ao derretimento nuclear em três dos seis reatores das instalações e ao vazamento de material radioativo. "Por favor, não saiam, fiquem em casa, fechem as janelas e vedem suas residências", disse o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, dirigindo-se aos moradores da região de Fukushima, naquela mesma sexta-feira. Dias depois, o governo japonês elevou o acidente ao maior grau na escala que mede catástrofes nucleares – o pior registrado no planeta desde Chernobyl, em 1986.

Nos meses seguintes, os japoneses lamberam suas feridas e reagiram com veemência diante da incompetência dos poderosos. Uma anunciada onda de protestos contra a energia nuclear – limpa em relação à emissão de carbono, mas de altíssimo risco – varreu o mundo. Horas depois do desastre em Fukushima, a chanceler alemã, Angela Merkel, paralisou o funcionamento das instalações atômicas no país. No Japão, a ineficácia governamental diante do estrago levou à queda do primeiro-ministro, Naoto Kan, em agosto. Seu sucessor, Yoshihiko Noda, herdou um país em crise econômica e com o moral em frangalhos. Cabe a ele limpar os vestígios da contaminação nuclear e lidar com as consequências que certamente virão no futuro. Segundo estimativas, cerca de mil japoneses podem ter câncer nos próximos anos devido à exposição radioativa.

E o Japão não foi o único a sofrer com a natureza em 2011. Mais uma vez, os brasileiros começaram o mês de janeiro assistindo à devastação provocada pelas chuvas. Dessa vez, a vítima foi a região serrana do Estado do Rio de Janeiro.

Um impressionante volume d"água causou deslizamentos de terra em cidades como Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, provocando 916 mortes e deixando 345 desaparecidos, além de prejuízos incalculáveis. Os australianos também sofreram com inundações no início do ano. Até fevereiro, cerca de 200 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas em ao menos 70 cidades.

Também na Oceania, na Nova Zelândia, a terra tremeu com força ainda em fevereiro. No dia 21, um terremoto de 6.3 graus na escala Richter reduziu a escombros a cidade de Christchurch, a segunda maior do país, e ceifou ao menos 181 vidas. Meses depois, uma coluna gigante de cinzas vulcânicas tomou boa parte dos céus latino-americanos. Em erupção desde 4 de junho, o vulcão chileno Puyehue provocou caos aéreo na Argentina e no Uruguai, além de causar transtornos nos aeroportos do sul do País e no Chile. Como de costume, estamos à mercê da boa vontade do planeta.

Autor(es): Hélio Gomes

Isto é - 26/12/2011

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